| Módulo I Bloco 1 - Introdução ao local, instrutores, participantes, pessoal de apoio, programa e atividades. O que é Permacultura – implicações práticas. A história da Permacultura. Permacultura hoje - no Brasil e no mundo. A ética da Permacultura. A Permacultura na paisagem e na sociedade. Bloco 2 - princípios dos sistemas naturais Ciência e conhecimento ancestral Aplicando princípios naturais no design Recursos, produtividade, ciclos e nichos Diversidade, estabilidade, ordem e caos, complexidade e conexões, funções. Bloco 3 - métodos para o design Introdução à prática do design Análise pelas características dos elementos Design pela expansão de observações e lições da natureza Opções, decisões e caminhos; Sobreposição de dados; Conexões randômicas Fluxogramas; Zoneamentos e setorizações Design incremental; O conceito de consórcios Sucessão e evolução de um sistema Estabelecimento e manutenção de um sistema Módulo II Bloco 1 - padrões Um modelo geral dos eventos. Matrizes e estratégias complexas. Efeitos de borda e aplicações práticas. Temporalidade e formas dos eventos. Espirais, círculos, lóbulos e fluxos. Escalas e ordens de magnitude. O uso tribal dos padrões. Bloco 2 - clima e microclimas Classificação das zonas climáticas globais Padrões globais e os grandes sistemas Precipitação; Irradiação; Ventos Efeitos microclimáticos da paisagem Efeitos de latitude Bloco 3 - árvores e suas interações energéticas A biomassa da árvore; Efeitos do vento Efeitos da temperatura; Árvores e a precipitação Interações com a chuva Bloco 4 - água Intervenções regionais no ciclo das águas Modificações do terreno para conservação e armazenamento Redução de uso nos sistemas de esgoto Purificação de águas poluídas; Tecnologias apropriadas para armazenamento, transporte e aquecimento. | Módulo III Bloco 1 - solos Classificações tribais, Solo e saúde da população A estrutura dos solos, Solo e a água Nutrientes e elementos do solo Composição, pH e microbiologia dos solos Deficiências minerais reveladas pela observação das plantas; Indicadores biológicos Erosão e reabilitação; A respiração da terra Bloco 2 - movimentações de terra Planejamento de movimentações Plantios pós-movimentação; Medidas de declividade Níveis e Nivelamento Tipos de movimentações (açudes, estradas, canais, terraços); Construções com terra Recursos da terra Bloco 3 - nos trópicos úmidos e sub-úmidos Climas típicos; Solos tropicais Movimentações de terra nos trópicos Arquitetura apropriada; A horta tropica; Manejo integrado da propriedade Elementos de uma comunidade nos trópicos úmidos A evolução de uma policultura integrada Policulturas de palmeiras; Sistemas de tratores vivos (animais) Manejo de pastagens e gado Estabilização de áreas costeiras Bloco 4 - nos climas secos Coleta da precipitação; Solos e temperaturas Características do terreno árido A horta no deserto; Técnicas de irrigação Assentamentos e comunidades Animais em terras secas Desertificação e salinização dos solos; Desertos frios Módulo IV Bloco 1 - nos climas frios Características gerais; Solos e forma do terreno Conservação da água; Cultivo de bagas e outras culturas Produção em estufas; A horta temperada A floresta de alimentos; Pastagens e animais Bloco 2 - aquicultura e arquitetura apropriada Alimentos aquáticos; Evolução de um sistema aquático Elementos de uma aquicultura Chinampas, canais e pequenos tanques Policulturas aquáticas e terrestres Design para catástrofes: fogo, furacões, tempestades Habitações sustentáveis; Design solar Materiais e técnicas apropriados (cob, fardos, taipas, superadobes, fibras, etc) Bloco 3 - estratégias para uma nação alternativa global Bases éticas para uma nação alternativa A nova ONU; Organização bioregional Estratégias legais de organização Fundações de desenvolvimento Assentamentos, comunidades e ecovilas Dinheiro, financiamento e sistemas econômicos alternativos; Investimento ético. Entrega de certificados e encerramento |
| . | . | | 
| | | PERMACULTURA: A COOPERAÇÃO COM A NATUREZA Catalisa 15 de julho de 2003 Na atualidade, há um consenso crescente de que temos que aprender a viver de modo sustentável se quisermos sobreviver como espécie (...). Como um novo paradigma que leva à integração harmônica do ser humano e o meio ambiente, temos a Permacultura. desenvolvida no começo dos anos 70 pelos australianos Bill Mollison e David Holmgren, como uma síntese das culturas ancestrais sobreviventes com os conhecimentos da ciência moderna.
O fundamento da Permacultura reside no trabalho cooperativo com a natureza, na observação atenta da própria natureza e transferência dessa sabedoria para o cotidiano. No simples princípio de não retirar da Terra mais do que devolvemos a ela, o projeto permacultural envolve o planejamento, a implantação e a manutenção conscientes de ecossistemas produtivos que tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais . A agricultura convencional é insustentável pois não reconhece nem paga seus custos energéticos verdadeiros. Na atividade com a terra, por exemplo, um canteiro permacultural é um tipo de cultivo onde várias espécies de plantas coexistem lado a lado, criando uma área que se comporta como um micro sistema ecológico, sendo praticamente eliminada a possibilidade de pragas – em contraposição à prática agronômica da monocultura. Os sistemas naturais produzem excedentes que se acumulam no solo, evitando o desgaste do mesmo pela conservação da camada nutritiva. Os conceitos de agricultura permanente começaram a se expandir, envolvendo diversos outros elementos e desenvolvendo uma verdadeira disciplina holística de organização de sistemas e de planejamento da nossa permanência no planeta. Provendo alimentação, energia e habitação e integrando todos os aspectos da sobrevivência e da existência de comunidades humanas, a Permacultura não é uma especialidade, mas uma grande generalidade. É muito mais que agricultura ecológica ou orgânica, englobando ética, economia solidária, fatores sanitários, sistemas de captação e tratamento de água, tecnologias alternativas de produção de energia (solar, eólica, etc.), bioarquitetura (construção ecológica), etc. Através da Permacultura, são obtidos bens e serviços capazes de satisfazer as necessidades materiais e não materiais das comunidades, de forma local, ética e sustentável. O conhecimento sistematizado pela Permacultura começou a se espalhar para várias outras partes do globo, como um movimento de caráter mundial. Hoje, existem institutos de Permacultura em todos os continentes, em mais de 100 nações. Diversos países, como o Brasil, vêm adotando a Permacultura como metodologia agrícola e, até mesmo escolas de todos os níveis estão incluindo a Permacultura no seu currículo básico. Para realizar a Permacultura, é necessário adotar uma ética específica de sustentabilidade que exija um repensar dos nossos hábitos de consumo e dos nossos valores, em geral. Os pontos fundamentais são definidos assim: · 0 cuidado com o planeta Terra - Essa é uma afirmação simples e profunda, com o intuito de guiar nossas ações para a preservação de todos os sistemas vivos, de forma a continuarem indefinidamente no futuro. Isso pressupõe uma valorização de tudo o que é vivo e de todos os processos naturais. A árvore tem valor intrínseco, é valiosa para nós, não somente pela madeira ou pelos frutos, porque é viva e realiza um trabalho que proporciona a continuidade da vida no planeta. Assim, também têm valor a água, os animais, o solo e toda a complexidade de relações entre organismos vivos e minerais existentes na Terra. · 0 cuidado com as pessoas - O impacto do ser humano no planeta Terra é, sem dúvida, o mais marcante. (...) Somos 6 bilhões habitando na superfície terrestre. Assim, se pudermos garantir o acesso aos recursos básicos necessários à existência, reduziremos a necessidade de consumir recursos não-renováveis. Portanto, os sistemas que planejarmos devem prover suas necessidades de materiais e energia, como, também, as necessidades daquelas pessoas que neles habitam. · Distribuição dos excedentes - Sabemos que um sistema bem planejado tem condições de alcançar uma produtividade altíssima, produzindo assim um excesso de recursos. Portanto, devemos criar métodos de distribuição eqüitativos, garantindo o acesso aos recursos a todos que deles necessitam, sem intervenção de sistemas desiguais de comércio ou acumulação de riqueza de forma imoral. Qualquer pessoa, instituição ou nação que acumule riqueza ao custo do empobrecimento de outras está diminuindo a expectativa de sustentabilidade da sociedade humana. · Limites ao consumo - Isso requer um repensar de valores, um replanejamento dos nossos hábitos e uma redefinição dos conceitos de qualidade de vida. Alimento saudável, água limpa e abrigo existem em abundância na natureza; basta que com ela cooperemos. Como ilustração, podemos citar algumas máximas da Permacultura: a) O problema é a solução; b) Substituir altos investimentos e trabalho por planejamento e criatividade; c) A diversificação garante a estabilidade; d) A estabilidade vem quando se fecham os ciclos; e) Os problemas são basicamente domésticos e podem ser resolvidos no nível doméstico; f) Todo sistema deve produzir mais energia do que consome; g) Visa-se cooperação em vez de competição, integração em vez de fragmentação. Permacultura é um caminho, uma filosofia de vida. Está pautada em grandes princípios e é extremamente prática abrindo um grande campo de estudo, aprendizado e trabalho. Na educação, em particular, são quase infinitas as possibilidades de difundir este conhecimento e nutrir seus princípios. Podemos reconhecer na Permacultura a própria ética para com nosso planeta e a prática da Cooperação com a natureza e o ambiente.  | |